Depoimentos

Pavel Steidl sendo entrevistado no aeroprto de Colônia, Alemanha

"Bem, primeiro eu vou me apresentar. Eu me chamo Pavel Steidl e nasci na República Tcheca. Para mim é mais importante a maneira com que a música mexe comigo do que a maneira como ela me entretém, você me entende? Eu me lembro de um concerto de Julien Bream. Talvez alguém argumente que os violonistas de hoje sejam mais virtuosos, tenham mais técnica ou sejam mais perfeitos que ele, mas houve um momento especial que mexeu comigo, um curto momento, e isso eu me lembro até hoje.

Da mesma forma me lembro de um concerto fantástico que assisti recentemente em Tatuí, Brasil, por Geraldo Ribeiro, um violonista fantástico que poucos no mundo conhecem, exceto violonistas do Brasil. Uma coisa extraordinária. Desde a primeira nota que eu ouvi, aquilo me tocou tanto, fiquei tão emocionado por aquele som. Uau, eu pensei, é isso que eu quero, é isso que eu quero, não somente mostrar habilidade.

A música também é uma coisa para o corpo. Você precisa usar o seu corpo, a sua técnica, mas não só isso. Você precisa também usar o seu cérebro e também o seu espírito, a sua alma. Esses são muito importantes."

Márcia Braga - GERALDO RIBEIRO É O PRIMEIRO VIOLONISTA CLÁSSICO DO BRASIL!!!

Você precisa repetir isso a todos. Todos precisam sabe disso e que ele está vivo e bem...

Foi assim que Sérgio Assad se despediu de mim e é assim que espero conseguir começar a contar um pouco a vocês que sobre essa pessoa genial...

Somente um gênio, para abafar seu desejo de tocar em público, conseguiria se tornar o criador das mais maravilhosas composições musicais para o violão. O fazedor e encantador de sons se tornou multiplicador e criador de melodias únicas e de rara sensibilidade, verdadeiras obras de arte, ficando nada dever a seus ídolos imortais. Permaneceu só e mesmo durante mais de 50 anos conseguiu se preservar e conservar a pureza e inspiração necessárias para compor quase 300 músicas, 95% ainda inéditas.

O conheci pessoalmente em Campos do Jordão quando fui sua aluna de violão num Festival de Inverno, na década de 1980. Fui ver de perto, beber na fonte, saber quem era essa lenda que havia lotado o Teatro Municipal de São Paulo em 1962.

Eu não me dava conta da sorte que tinha por ter ele se tornado meu colega e ao mesmo tempo meu professor no Conservatório de Tatuí por mais de 25 anos, e embora o considerasse “O Professor dos Professores” pouco sabia sobre a sua genialidade como compositor, pois ele se esquivava de todos, e somente para alguns corajosos que persistiam como eu e seus poucos amigos, melhores colegas e alunos, ele mostrava algumas de suas próprias músicas.

Eu não entendia como ele podia ainda ser tão simples, como podia ser tão modesto: Geraldo Ribeiro foi o primeiro a proporcionar que Paganini, que Nazareth, que Barrios, que Garoto, dentre outros mais significativos, fossem tocados no violão. Fez as devidas transcrições (tanto de outros instrumentos como de gravações em discos LP e fitas k7), para que fossem pela primeira vez tocados no violão, e preferia tocar e mostrar a mostrar suas próprias composições!

Por conta do destino vivemos há alguns anos juntos e nesse tempo venho tomando muito cuidado e atenção possível, do conhecimento de seus tesouros musicais. Cada música que acesso, que começo estudar me dá ainda mais certeza de que o mundo musical se tornará muito maior e melhor quando passar a tocar Geraldo Ribeiro.

O mundo também ainda não sabe que ele foi o primeiro a fundar a cadeira de violão numa faculdade no Brasil. Trabalhou na UNB (Universidade Nacional de Brasília) por 9 anos, onde para que isso acontecesse teve de obter o título de Notório Saber. Ele submerso em sua arte não se lembrava deste fato. Sempre dedicou sua vida a estudar violão e composição se abstendo e se privando de ter condições e conforto melhores e maiores para viver. Poderia ter estado e pode ainda estar, como convidado de honra, dando aulas, master classes, concertos, seu maior sonho, nas melhores universidades do Brasil ou de qualquer outro país.

Geraldo Ribeiro está pleno de sua sabedoria. Uma memória musical e magistral que nunca lhe falta e sempre bem disposto a tocar e/ou falar sobre música.

Ele sempre fala que a música é para ele como o ar que respira, ou seja, é através dela que ele vive e eternamente viverá.

Edson Lopes toca Chorinho Seresteiro de Geraldo Ribeiro.

Geraldo Ribeiro ©2014 - Av. Profª. Zilah de Aquino, 1.195 - CEP: 18276-440 - Tatuí - SP / Tel.: (15) 3251-4725